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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Segunda-feira: meu réveillon semanal

Eu tenho uma relação de amor e ódio com a segunda-feira. Pra mim, é de longe o dia mais difícil de acordar cedo. Quando eu consigo a façanha de malhar cinco dias na semana, com certeza não é porque eu fui na segunda, e sim porque eu fui no sábado. Mas, embora a segunda tenha esse peso da insônia do domingo, ela funciona pra mim como um mini réveillon semanal.

É na segunda que eu encontro forças pra resistir à sobremesa, pra estudar mais um capítulo de um livro, ou pra evitar aquele paquera que não vale a pena. É o dia de ignorar os excessos e planejar a semana, ainda que a terça sempre chegue com o seu ar de comodismo, me oferecendo um pedaço de torta depois do almoço ou uma mensagem do whatsapp impossível de ignorar. Mas enquanto for segunda, lá estará o meu sono e a minha esperança de mudar.

Quem nunca leu um texto inspirador no domingo, se prometeu começar a agir diferente na segunda e então, ao acordar no dia seguinte, se deixou levar pela rotina e acabou fazendo mais do mesmo? Quem nunca deu força a um amigo pra recomeçar, dizendo que sempre há tempo pra felicidade, mas ao pensar sobre si mesmo acha que já é tarde demais pra buscar os próprios sonhos e que o melhor é procurar um jeito de aquietar o espírito? Se puder atirar a primeira pedra quem nunca teve um desses pensamentos, então minhas mãos permanecerão abaixadas.

A verdade é que às vezes você realmente precisa mudar de emprego, de cidade ou de profissão. Na maioria das vezes, no entanto, você só precisa mudar de atitude. Ser feliz exige senso de humor e um certo ar de deboche de quem sabe que essa vida é só o primeiro episódio de uma série de sucesso. E graças a Deus a nossa vida não foi escrita por George R. R. Martin, de Game of Thrones, então depois de todo o drama há esperança de um final feliz.

O negócio é aproveitar a Semana Nova pra pular sete ondas, comer ervilha e beber champanhe. Ou, se assim como eu você precisar trabalhar, então aproveite pra dar risada no intervalo do café e dançar no engarrafamento, sem se preocupar com o motorista do carro ao lado. Mas se ainda assim estiver difícil, então coma Chá com Torradas e lembre que mesmo quando o seu coração houver perdido toda a esperança, ainda haverá o sol depois da madrugada e uma nova segunda na próxima semana.

“Quando os céus parecerem ruins, meu querido               "When the skies are looking bad my dear
E o seu coração houver perdido toda a esperança                     And your heart has lost all it's hope
Depois da madrugada haverá sol                                                   After dawn there will be sunshine
E toda a poeira irá embora                                                                              And all the dust will go
Os céus se limparão, meu querido                                                           Skies will clear my darling
Eu irei acordar com aquele que amo mais                           I'll wake up with the one I love the most
E pela manhã irei fazer pra você                                                And in the morning, I'll make you up
Um pouco de chá e torradas”                                                                             Some tea and toast"

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Quantos pedaços te fazem inteiro?


Quantos pedaços são necessários pra formar um inteiro? E de quantos inteiros a nossa felicidade é feita? Quando eu era pequena o meu inteiro era de três. Meus irmãos já eram nascidos, mas era a perda dos meus pais que me assustava. Como imaginar a vida de criança sem os meus super-heróis do cotidiano? Não dava.

Mas então eu cresci e nos lugar das brigas constantes com os meus irmãos, surgiu a cumplicidade. Saíamos juntos, errávamos juntos e juntos crescíamos como pessoas. O meu inteiro já não era mais de três, mas de cinco. Nunca os vi como super-heróis, pois sempre os enxerguei com olhares mais humanos. Nunca esperei que fossem perfeitos, pois era nos seus defeitos que eu encontrava a paz da minha imperfeição.

Já deixei Rafael, meu irmão do meio, assumir uma culpa que era minha. Já gritei com Ricardo, meu irmão mais velho, sem motivo algum. Nunca fui a melhor irmã. Não sou a mais doce e compreensiva; sou birrenta, ciumenta e encrenqueira, mas do meu jeito torto consigo mostrar o meu amor.

E agora os dois estão noivos! O inteiro deles ganhou mais um pedaço. Preciso confessar que isso me assustou um pouco, porque quando eles abrem o seu coração pra uma nova parte, um quinto do meu coração vai junto com eles. O que me tranquiliza é que os meus pais me ensinaram que ser imperfeito é natural. Que para as brigas existem as pazes; e pras mágoas, o tempo. E que isso sempre é possível onde há amor. Então eu vejo os meus irmãos e as minhas cunhadas e sei que tudo ficará bem, porque, acima de qualquer coisa, sei que eles se amam. E assim, discretamente, também vou dividindo o meu coração em mais pedaços para recebê-las. 

Eu não vi os pedidos de casamento e, por isso, não posso me inspirar nos olhares das noivas ao ouvirem a pergunta tão esperada. Mas todo pedido de casamento é feito um pouco a cada dia: ele começa a pedir quando se oferece pra levar a mala mais pesada; e ela vai aceitando ao separar a roupa pra ele usar numa ocasião especial. Se o noivado é o aviso oficial de que chegou a hora de dar um passo adiante; é o entrelaçar das mãos e o olhar de cumplicidade que leva duas vidas ao altar.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

A vitória da Alemanha mudou o meu placar

A Copa acabou e a sensação não é de vazio, mas de um preenchimento que faz falta. Foram dias invadidos por um futebol emocionante e por Fan Fests que ficarão marcadas na nossa memória. Gente do mundo todo reunida, celebrando e reinventando a forma de se comunicar. Pois a língua universal do brasileiro não é o inglês, mas a boa vontade. Nos esforçamos para compreender e receber os estrangeiros como só nós somos capazes: com muita festa e com um "não repara a bagunça".

A Copa foi o oposto do que esperávamos. Primeiro, porque ela realmente aconteceu; segundo, e principalmente, porque não foi apenas fato, mas história. A nossa Copa encantou a todos e passou a ser chamada de 'Copa das Copas', nos fazendo largar, por alguns instantes, as nossas roupas de protesto e nos vestirmos inteiros de orgulho do que somos. Não fomos campeões nos campos, mas fora deles até o Financial Times disse que ganhamos; e que, a partir de agora, deveria ser obrigatório que toda Copa tivesse praia e brasileiros.

A seleção do Brasil tropeçou nas semifinais, então na grande final foi a vez de pintarmos a Alemanha de verde e amarelo. Ou nos pintarmos de preto, vermelho e amarelo. Não dá pra saber ao certo em que momento nossos corações foram fisgados. Torcemos para que esse time, que nos fez chorar por um dia, mas que nos conquistou ao longo de um mês inteiro, fosse o vencedor. Torcemos como se ali estivesse o Brasil, porque de fato estava. Nem vou citar a nossa rivalidade com o seu oponente, a Argentina, embora tenha ajudado um pouco; pois a torcida ontem foi mesmo a favor da Alemanha.

A vitória da Alemanha significaria coroar um time que fez questão de nos conhecer. Que pediu licença quando entrou na nossa casa, elogiou a nossa comida e nos ajudou a lavar os pratos depois. A sua conquista reforça um estilo de jogar e de viver inspirador.

Se fosse a Argentina a vencedora, os discursos seriam de como um time que se arrastou a copa inteira acabou campeão 'na raça'. Apontaria a sorte e algumas estrelas individuais como responsáveis pelo seu triunfo. Em vez disso, ganhou a Alemanha e ouvimos a exaltação do planejamento, comprometimento, fortalecimento do coletivo e humildade. Humildade não só em se entregar aos braços de uma população no interior da Bahia, abraçando a sua cultura e investindo no seu desenvolvimento. Mas, sobretudo, humildade há alguns anos, pra perceber que eles precisavam de metas claras e de trabalho duro pra chegar ao lugar que desejavam.

Eu aproveitei a inspiração dessa paixão pela Alemanha, que acometeu a mim e a grande parte dos brasileiros, pra seguir o seu exemplo. Resolvi mudar! Ontem eu abracei a humildade e me reconheci pequena. Refiz minhas metas e meus planos de ação, pois decidi que vou conquistar os meus objetivos e não serei refém do acaso nessa jornada. Essa quarta eu escrevi que também perderia de 7x1, mas ontem eu comecei a trilhar o meu caminho pra ganhar de 1x0.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Eu também perderia de 7x1


E eu não me refiro à escalação dos jogadores, nem ao esquema táctico que eu escolheria. Eu perderia porque também chegaria batucando naquele ônibus, achando que em algum lugar desse mundo tem um destino conspirando a meu favor e que, mesmo com meu time desfalcado e mantendo como titular quem não merece, ainda assim, de algum modo, eu sairia dali campeã.
É a verdade. Eu exijo da seleção a disciplina e o comprometimento que nem eu mesma tenho. Ah, eles ganham milhões pra isso? Não importa! A forma como a gente encara a vida vai muito além da remuneração que recebemos.
Toda semana eu me prometo que serei disciplinada com a minha alimentação e com a academia. Não exijo de mim o meu melhor, não almejo o corpo de uma panicat, apenas quero saúde e poder usar um biquíni sem ficar constrangida. Mas eis que vou batucando nessa missão, achando que faltar 1, 2 ou 3 dias na semana não vai fazer tanta diferença. Que aquela coxinha é uma bobagem e não vai mudar o resultado de nada. Que aquela pizza com refrigerante e uma torta de sobremesa não vão sequer ser notadas no resultado final... e sigo batucando.
Toda semana programo a minha meta de estudos. Uma meta simples e pouco audaciosa, que talvez nem me leve tão longe, mas que apenas me mantenha caminhando, e nem isso eu cumpro. Me dou a desculpa de que naquele dia trabalhei demais e estou cansada. De que a minha mente já não é capaz de absorver mais conhecimento e que, por isso, o melhor é descansar e esperar o dia seguinte. Talvez o jogo seguinte, ou a copa seguinte, se eu fosse um daqueles 11 em campo.
Toda semana eu falho! Mas falho em segredo. Perco de 7x1, às vezes até de mais, mas ninguém fica sabendo. E eu culpo o governo e as poucas oportunidades pelo meu insucesso. Não que eles sejam inocentes, longe disso, mas sei que sou um pouco cúmplice desse atentado.

Com que moral posso julgar a minha seleção, mandar os jogadores pararem de batucar no ônibus e se concentrarem antes de cada jogo? Talvez a mesma moral de um furador de fila criticando a corrupção desse país. É que a gente esquece que esses jogadores, mesmo morando fora, nasceram aqui, e que como a gente eles também acham que Deus é brasileiro e isso já é o bastante.

sábado, 10 de maio de 2014

Essa noite eu rezarei pelo dia das mães...



Pedirei a Deus que permita a todo ser humano conhecer essa forma de amor incondicional. Um amor tão puro e sem intenção, que até mesmo o mais ateu dos homens reconhece ali um pedaço de Deus.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Love is all you need...


Não há local mais bonito pra se consagrar um relacionamento que a céu aberto, mas é preciso muita coragem para acreditar que o amor será capaz de trazer o sol pra iluminar o grande dia.

Sábado amanheceu tão ensolarado, que eu só posso crer que até mesmo o sol não resistiu a estar presente em um casamento tão lindo e emocionante, como o de Carol e Gustavo. A chuva, curiosa e discreta, molhou a cerimônia com delicadeza, a partir dos olhos de cada amigo presente.

E o que dizer da entrada da noiva? Triunfal? Não, seria usar uma palavra pomposa demais, que mais se preocupa em mostrar do que ser. Mágica! Quando ela parou na ponte de madeira que a separava do seu corredor de esposa, foi impossível não olhar a cara do noivo e notar seu olhar de certeza, de que não havia vista mais bela que a sua amada ao pôr do sol.

Quando os padrinhos subiram ao altar e leram sua mensagem ao casal era o prenúncio da emoção que estava por vir: os votos dos noivos. Somente alguém descrente do amor e de dias melhores não se emocionaria com as palavras ditas. Era tanto amor e tanta verdade, que a voz embargada foi a trilha sonora mais honesta. Seus pais transbordavam pelos olhos a felicidade de ver os seus filhos serem puramente amados. O noivo pela noiva, a noiva pelo noivo e os dois por cada um que compreendia o significado das palavras que eram ditas.

Enfim casados! E que pressa pelo beijo que selaria esse momento. Mas como não compreender a ansiedade ao ouvir a música com que os noivos, agora casados, se despediam da cerimônia? All you need is love... Eles já entraram casados aquele dia! Nós é que tivemos o prazer de assistir, em público, os votos que eles, em particular, fazem todos os dias um para o outro.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Conto Brasileiro - 2013, Governo de Dilma Rousseff

— "Século virá em que a mesma coisa nos aconteça". Ao que retorquiu um rato: "Mas até lá, riamos!"

Conto Alexandrino - Histórias sem Data, Machado de Assis
As pessoas parecem não se importar com as medidas absurdas que têm sido anunciadas pelo governo para “sanar” os problemas da saúde do nosso país, talvez por acreditarem que somente a classe médica será afetada.

No que se refere à importação de médicos sem o revalida... Sinto informá-lo que esses médicos virão para tratar VOCÊ, SEUS filhos, SEUS pais etc. Não, eles não ficarão num universo paralelo que afetará apenas o mercado de trabalho dos médicos que cá estão por mérito. Eles virão sem qualquer teste que assegure a sua qualidade enquanto profissionais e virão para esse mundo em que VOCÊ e os SEUS familiares adoecem.

Não bastasse querer trazer os cubanos pra cá, agora querem transformar também o Brasil em Cuba, tolhendo a liberdade dos médicos com um serviço obrigatório civil.

Digo-lhe com convicção, se a sua decisão é se calar e rir diante de uma violência como essa, século virá em que a mesma coisa lhe aconteça; onde todos se calarão e rirão das injustiças contra você.

domingo, 31 de março de 2013

"Nós aceitamos o amor que achamos que merecemos."

Uma das vantagens de ser ter amigos, além de risadas por motivos que ninguém mais compreenderia, é que mais alguém no mundo passa a entender do que você gosta. Então as chances de encontrar "aquele" livro que marcará a sua vida ou "aquela" música que se tornará a sua trilha sonora ficam incrivelmente maiores. Pois não serão mais apenas os seus olhos e ouvidos que estarão atentos aos seus gostos.
Amigos também nos reconhecem em vitrines, no cartaz do cinema ou navegando pela internet. Quantas vezes cada um de nós já não foi marcado no facebook ao lado de uma piada ou de um clipe acompanhado da sentença "lembrei de você"? Essa semana eu fui lembrada... um amigo me recomendou um filme que eu adorei e que me marcou pela frase que intitula esse texto: "Nós aceitamos o amor que achamos que merecemos." 

Eu já aceitei que não fossem gentis comigo e que não me tratassem como prioridade. Já acreditei em desculpas que sabia não serem verdades... por mais de uma vez. Pois acreditava que o sentimento dos outros por mim era responsabilidade minha. 

A verdade é que eu não posso ser culpada por olhos que não me enxergam por completo, a ponto de não perceberem que eu mereço mais. Exceto se esses olhos são os meus.

É por isso que eu decidi ser mais gentil comigo mesma, me enxergar como prioridade e parar de arranjar desculpas pra não tomar as atitudes que eu vivo planejando.

"Nós aceitamos o amor que achamos que merecemos." Eu resolvi que mereço muito mais.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Meu ontem


Me olhava com olhos de quem queria ficar
Me beijava como alguém incapaz de partir
Me abraçava com medo de que eu pudesse fugir
Condenava-se por não ser capaz de arriscar

Acordou sentindo-se triste pelo fim

Ligou como se não tivesse acabado
Desejou encontrar no presente o passado
Dormirá pensando se tinha mesmo de ser assim

sexta-feira, 29 de junho de 2012




Eu sabia o que queria da vida quando era inocente o bastante para fazer planos...

I knew what I wanted from life when I was innocent enough to make plans...

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Re-amar

Eu guardo comigo todos os medos e riscos
Tento abandonar um de cada vez, a cada passo
Cada palavra doce, menos um
Cada abraço sincero, menos quatro.
Um beijo inesquecível e abandono de vez o estoque
Mas é quando o beijo não vem que me reabasteço
Voltam para mim todos os riscos
Tomam conta de mim todos os medos

A dificuldade em ser feliz está na necessidade de correr o risco de ser triste.
Dizer que ama e encarar o medo de ser rejeitado,
Sorrir e enfrentar o temor de não ser engraçado,
Mostrar-se por inteiro, mesmo lhe custando um pedaço.

Verdade seja dita, eu sempre tento
Como se não lembrasse a última dor
É que dentro de mim carrego um sentimento
Se tentando ser feliz eu posso ser triste
Não tentando eu serei triste todo o tempo.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A estrada que eu nunca passei...


Da estrada que eu nunca passei só tenho os sonhos, não conheci os buracos.
Não chacoalhei com nenhum passo em falso, apenas caminhei.
Como se nela jamais houvesse existido qualquer obstáculo.

Da estrada que eu nunca passei só tenho o sol, não conheci o escuro.
Não tremi com nenhum som estranho, apenas duvidei.
Como se nela jamais houvesse existido qualquer barulho.

Da estrada que não se cruza, não se conhece os caminhos.
Da estrada que eu nunca passei tive as rosas, não lembrei de espinhos.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Dia de Finados

Finado... particípio passado do verbo finar.

Finar-se de: padecer de; morrer de.
Finar-se por: desejar ardentemente.

Finado é alguém que desejou tão ardentemente viver, que correu o risco de morrer.
Um último título, uma última glória a quem só é passado no dicionário.
Pois finado amado é lembrança que não passa, não tem data, nem se esgota.

Como diz o poeta Célio Pedreira, "saudade não encerra uma noite só... dura estrelas."


(À minha vó Terezinha)

domingo, 14 de agosto de 2011

Intercâmbio [...o final]


Saudade só existe em português, mas foi aprendendo um novo idioma que fiz dessa palavra uma eterna companheira.

Eu podia contar sobre o meu desespero na primeira noite em Londres, do quanto chorei, enquanto me obrigava a lembrar porque estava ali.


Podia descrever como, aos poucos, desconhecidos tornaram-se amigos preciosos, um restaurante que já conhecia do Brasil tornou-se meu emprego em Londres ou como aprendi a dizer não e a estar muito mais disposta a dizer sim.


Podia tentar expressar cada aprendizado e cada emoção que vivi nesses seis meses, mas jamais seria capaz de resumir a experiência de viver um intercâmbio ou como isso me afetou.


Quando se constrói um lar do outro lado do mundo é como se esse mundo ficasse menor e todos os seus sonhos parecessem possíveis. Em compensação, de repente toda essa distância fica tão importante que parece maior.


Antes de viajar, meu pai confessou sua preocupação: "e se você gostar de lá e não quiser voltar?" Eu respondi: "mas só valerá a pena se eu não quiser voltar." A felicidade de ter algo é proporcional a dor que se experimenta quando se perde. Eu sabia que quanto mais valesse a pena, mais doloroso seria deixar tudo para trás.


As pessoas me perguntam como está a minha readaptação a Salvador. Eu nunca precisei de mais de um dia para me adaptar a qualquer lugar. O meu problema é lidar com a falta que as pessoas me fazem. Nesse quesito, não sei quando me sentirei de novo totalmente em casa.

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Exchange [...the end]

Saudade* only exist in portuguese, but was learning a new language that I did this word my eternal companion.


I could talk about my hopelessness in the first night in London, how I cried while I forced myself to remember why I was there.


I could write how, gradually, strangers became precious friends; how one restaurant which I knew from Brazil became my job in London; how I learned to say no or how I became more willing to say yes.


I could try express each learning and each emotion I have had in this six months, but never I could summarize the experience of live a exchange or how this affected me.


When you build a home in another place in the world it is as if the world become smaller and all your dreams looks like possible. On the other hand, suddenly this distance becomes so importante that looks like bigger.


Before travel, my dad confessed to me your concern: "if you like so much there and don't want come back?" I answered: "but just will worth if I don't want come back." The happyness when you get something is proportional to the sadness when you lose it. I knew that as worthwile was, as painful would be to leave everything behind.


People ask me how is my readaptation to Salvador. I never needed more then one day to adapt to anywhere. My problem is miss the people. In this case, I don't know when I'll feel totaly at home again.

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* saudade means miss someone or something.


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

"É incrível o poder que as coisas parecem ter quando elas precisam acontecer." Caetano Veloso

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Não me vi crescer.


Estou ouvindo agora uma música que me lembra a primeira fase de Malhação (Every breath you take), aquela que tinha Claudio Heinrich como Dado, Danton Melo como Héricles e onde Bruno de Luca ainda não era unanimidade, mas só uma criança, como eu naquela época.

O que mudou em mim desde 1995?

Em alguma altura da vida a gente se pergunta essas coisas. Tenta se lembrar de como era e fazer uma reflexão sobre quem é hoje. Talvez numa tentativa de se perceber crescendo, ou mesmo numa simples análise entre as expectativas que tínhamos e quem nos tornamos.

Eu era uma criança que brincava muito na rua, mas que sempre guardava um tempão para a televisão. Me lembro de assistir emergência 911 e Plantão Médico sozinha, na sala, e ficar impressionada com aquele bando de coisas que eu não entendia, mas que me pareciam fantásticas.

Ontem eu vi a Sandy na Gabi e me dei conta mais uma vez do tempo que passou. Sou da geração que cantava e dançava com a dupla Sandy e Júnior e agora posso assistí-la numa carreira solo, cantando divinamente, compondo, casada e cada dia mais segura de si. Sim, continuo fã. Pelo talento e pela personalidade dela.

Mas e então, eu sou hoje quem eu sonhava que seria? A resposta é não e carregado de um ufa!. Pra essa resposta ser sim eu teria que ser muito óbvia ou focada a ponto de não olhar para os lados e me permitir mudar. Não seria eu.

Não seria a garota que é capaz de batalhar dia e noite por algo, mas que ao perceber que batalhou pela coisa errada dá meia volta e recomeça em outra direção;
Não seria a mulher que não sabe o que quer, mas que assim mesmo luta pelos próprios sonhos, numa obstinação no escuro que sente ir no caminho certo;
 Não seria alguém de personalidade forte, meio brava, meio doce, que muitos definem como generosa e outros tantos como egoísta. 

Ser uma contradição é tarefa complexa e difícil, mas me veste sob medida. 
Sou fria, mas não calculo. Sou quente, mas não extrapolo. 
Não sou exemplo de ser, tampouco de não ser, mas estou longe de ser morna.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Uma segunda chance para Paris

Quem nunca sonhou em conhecer um lugar, uma pessoa? Quem nunca se encheu de expectativas e caiu lá de cima quando as coisas não foram exatamente como nos sonhos? 

Quando assisti O Fabuloso Destino de Amélie Poulain imaginei a minha Paris. A cidade me parecia romântica, viva, cheia de cores e coisas prontas para serem descobertas. Decidi fazer intercâmbio e escolhi Londres, mas era Paris quem me prometia a Europa.

Fim de semana passado finalmente desembarquei na Cidade Luz, para uma viagem que não cumpriria nem um quinto das suas promessas. Passei por momentos de terror e ao fim de três dias respirei de felicidade ao voltar para Londres.

Foram muitas informações erradas, muita gente que não sabia ou fingia não saber inglês e por isso nos deixava ainda mais perdidas. Fomos seguidas e, por fim, roubadas no nosso próprio hotel.

Muitos disseram que a gente deu bobeira, que mesmo sendo hotel e bom, tem sempre que trancar a mala com cadeado. Mas quando é que a gente faz isso? Quando é que a gente conhece alguém bonito, interessante, engraçado, que nos envolve completamente e lembra de trancar o cadeado, de manter um pé atrás, de não se jogar de cabeça e sonhar que aquele instante continue para sempre? Quando é que a gente lembra que expectativas são apenas expectativas e não um contrato com a realidade? E que crueldade as coisas acontecerem diferente. 

Mas eis que a vida real segue seu curso, apesar dos nossos planos, e é preciso um pouco de esperança e fé para olhar a realidade não sonhada e aprender a partir dela. Aprender a amá-la ou aprender com ela o que será preciso para amar as experiências que virão. 

Paris foi um desastre. Talvez apenas uma viagem a esquecer ou uma lição árdua e valiosa, como toda desilusão. Mas um dia eu volto, já despida das minhas expectativas. Como uma segunda chance a um amor que na hora de acontecer encontrou obstáculos, mas que nada impede de tornar-se o amor da minha vida.


quinta-feira, 19 de maio de 2011

Ainda quero ser dona-de-casa?


Três anos atrás escrevi um artigo, cujo o título era Quero ser dona-de-casa, para ser publicado num extinto blog de amigos, O Pequeno Burguês. Fiquei absolutamente surpresa quando vi o número de acessos, uma vez que o blog tinha como tema política e economia. Algo que naquele meio parecia tão "doméstico", afinal demonstrou-se interessante.

Algum tempo depois do blog sair do ar resolvi que era hora de iniciar o meu próprio blog e evitar que aquele texto deixasse de ser visto. Hoje, muito tempo depois, esse artigo ainda é o mais lido do meu blog e também o mais comentado, invariavelmente por mulheres que compartilham dos ideais defendidos no texto e que encontram, naquele pedacinho de linhas, um apoio às suas decisões.

Ontem, contudo, uma das leitoras, a qual encontrou meu blog ao pesquisar a frase "quero ser dona de casa", me perguntou se ainda penso do mesmo jeito e pediu que a respondesse. Diana, continuo pensando na mesma direção, mas com um olhar diferente.

Ao longo desses anos me questionei muito sobre casar e ter filhos e por algum tempo resolvi que essa idéia não cabia mais a mim. Filhos... fiquei com medo de tê-los quando percebi que a minha idade mudou muito, mas continuo me sentindo uma aprendiz da minha própria vida. Ao notar, entretanto, que amo o jeito como os meus pais erram tentando acertar, essas dúvidas ficaram pra trás.

No que se refere a ser dona-de-casa, estou no meio de um imbróglio. Adoro a cena em que eu tenho tempo para estar presente na vida dos meus filhos, educá-los e aproveitar cada momento. Gosto de cuidar daqueles que amo e não casaria sem amar, logo cuidar do meu marido também me faria feliz. Quem teve calafrios ao ler isso, por favor, supere a idéia de que cuidar de marido é se sujeitar. Aquela cena da mulher que passa o dia cozinhando e esperando o marido para lhe tirar os sapatos quando ele chega do trabalho já está mais que superada.

O que tem me colocado pra pensar é: eu não tenho estudado a minha vida inteira por ser aquilo que esperam de mim. Na infância talvez, mas em algum momento tomei o rumo da minha vida e estudar passou a ser uma decisão minha. Estudo pra conhecer, mas também pra realizar. Não quero imaginar que construir uma família signifique abrir mão de uma carreira, pois isso também é parte daquilo que sou.

Em Economia há um conceito chamado Custo de Produção, que significa que o custo de produzir alguma coisa não é somente os gastos que você terá, mas também os lucros que você eventualmente deixará de ter ao não produzir outro tipo de coisa. Deixar de trabalhar pra ser dona-de-casa ou não cuidar da minha família pra me dedicar exclusivamente ao trabalho são caminhos que me custariam caro o bastante pra eu decidir que nenhum dos dois é o suficiente pra mim.

Eu não sei exatamente o que nós mulheres aceitamos quando dizemos sim a um pedido de casamento ou quando decidimos nós mesmas o propor, mas tenho certeza de que essa resposta não é igual pra todas nós. Mesmo as que desejam ser donas-de-casa não o decidem, nem o serão, sob as mesmas condições.

Minha resposta mais honesta: minha única certeza hoje é que quero ser dona-do-meu-nariz.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O Casamento Real


Muito antes da tão esperada data, para todos os lados em que se olhava de Londres era possível encontrar um souvenir com a imagem do casal, Kate e William. Nas duas semanas que antecederam o casamento, bastava abrir os jornais para descobrir se Kate Middleton emagreceu, onde ela apareceu , quais as surpresas que os dois estavam preparando para a cerimônia, gente importante que foi convidada, desconvidada ou estava indignada por não ter recebido o tão esperado convite.

Sempre tinha, é claro, quem dissesse que não se interessava pelo assunto, que tinha mais o que fazer ou que não via a hora de que tudo isso terminasse. Pros comerciantes foi um sucesso, deu uma acelerada na economia, que andava meio em marcha lenta. Mas quem comemorou mesmo fomos nós, mulheres. Ah, você pode não ser a favor da Monarquia, achar um absurdo tanto falatório por um casamento, mas assistir a uma plebéia casar-se com um Príncipe é como ver acontecer aqueles  livros e filmes que tanto nos emocionam e fazem torcer para ser também uma princesa. A verdade é que ela, diferente dos contos de fadas, não virou princesa, virou Duquesa, e agora não é só apertar o botão de "feliz para sempre", há uma longa jornada.

Os jornais não cansam, desde que o noivado foi anunciado, de comparar a Kate, agora Catherine Elizabeth Duquesa de Cambridge, com a Lady Diana. Afinal, ela era também uma plebéia com um príncipe e simplesmente partiu nosso coração o final dessa história. Dessa vez, no entanto, a esperança é grande, pois eles são namorados de muito tempo e ficam com os olhos brilhando ao olhar um para o outro. A cena mais bonita do casamento, por isso, na minha opinião, foi quando ele a elogiou assim que ela chegou ao altar. Foi natural, verdadeiro e fez daquele evento pomposo e lotado de gente, uma cerimônia íntima e aconchegante.

No mesmo dia do casamento, 29 de abril de 2011, por volta das 16:00h (Londres) o jornal London Evening Standard apresentava sua edição com a cobertura completa da cerimônia. Todos queriam o seu exemplar como mais uma lembrança e, porque não, como uma prova de que fez parte desse momento. Goste ou não de casamento, defenda ou não a Realeza, não há quem resista a admirar um amor de verdade e esse casamento é real por muito mais motivos que uma coroa.





domingo, 17 de abril de 2011

Intercâmbio [Na metade...]


Não sei se mudei aos olhos dos outros, mas aos meus próprios olhos eu jamais serei a mesma.

Ouvirei as palavras nunca e impossível com incredulidade
Duvidarei de quem disser que se acostuma com saudade
Olharei os homens de sonhos com admiração
E os de sonhos quebrados com piedade.

A cidade que me assustou de início, de sinal em sinal me aponta o caminho.