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segunda-feira, 10 de março de 2008
REVIRANDO O BAÚ - I

Seus olhos podem não ser claros e grandes
Podem ser embaçados por essas lentes
Não são tão belos quanto profundos
Mas também pudera
Se o fossem, não haveria quem resistisse.
Levando-se em conta, contudo
O conceito de janela que os olhos têm
Todos sobre os seus se inclinariam
Para descobrir que vista eles possuem.
E aqueles contemplados com seu foco
Tão contentes ficariam em sabê-lo
Que mais fácil seria fechar os olhos
A recusar um dia seus olhares receber.
15.10.05
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
QUERO SER DONA-DE-CASA

Diferentemente das mulheres do meu tempo, eu sonho em casar e ter filhos, muitos filhos. Quero cuidar da minha casa, esperar meu marido voltar do trabalho e recebê-lo com o carinho que ele merece. Lavar suas roupas sujas do futebol do sábado à tarde, abrir uma cerveja bem gelada pra ele e seus amigos no domingo. Ah, como eu desejo essa vida! Vida melhor não há!
Quando revelo o meu sonho, no entanto, as mulheres se escandalizam. Elas esquecem que quando as feministas surgiram e começaram a queimar sutiãs, elas desejavam se livrar de destinos traçados. Lutavam para escrever sua própria história, por liberdade. Liberdade de escolha!
As mulheres hoje em dia, contudo, se sentem na obrigação de trabalhar fora, ao invés de ficar em casa; de criar projetos, no lugar de filhos; de passar o dia inteiro no computador, e não no fogão. Se antes nossos destinos eram traçados pelos nossos pais e maridos, hoje ele não está diferente. Mudou o algoz, mas não a opressão.
Aumentaram as nossas tarefas, diminuíram o respeito por nós. As mulheres ainda ganham menos, enfrentam jornada dupla e são veneradas como "cachorras" e "chuchucas". Não foi pra isso a nossa revolução.
As feministas não lutavam pelo fim da família ou para terem uma vida completamente diferente daquela que as suas mães tiveram. Elas objetivavam poder ser o que quisessem por vontade, e não obrigação.
Quando revelo o meu sonho, no entanto, as mulheres se escandalizam. Elas esquecem que quando as feministas surgiram e começaram a queimar sutiãs, elas desejavam se livrar de destinos traçados. Lutavam para escrever sua própria história, por liberdade. Liberdade de escolha!
As mulheres hoje em dia, contudo, se sentem na obrigação de trabalhar fora, ao invés de ficar em casa; de criar projetos, no lugar de filhos; de passar o dia inteiro no computador, e não no fogão. Se antes nossos destinos eram traçados pelos nossos pais e maridos, hoje ele não está diferente. Mudou o algoz, mas não a opressão.
Aumentaram as nossas tarefas, diminuíram o respeito por nós. As mulheres ainda ganham menos, enfrentam jornada dupla e são veneradas como "cachorras" e "chuchucas". Não foi pra isso a nossa revolução.
As feministas não lutavam pelo fim da família ou para terem uma vida completamente diferente daquela que as suas mães tiveram. Elas objetivavam poder ser o que quisessem por vontade, e não obrigação.
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