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terça-feira, 5 de abril de 2011

E os pobres, quem defende?



Estão todos indignados com o Deputado racista e homofóbico. Querem-lhe a cabeça numa bandeja. Se fosse um artista que usasse do espaço que ocupa na mídia para propagar idéias como essas, eu ficaria surpresa, mas trata-se de um político, eleito para nos representar com suas idéias e bandeiras, por isso estou mesmo é chocada. Chocada por perceber que o buraco onde colocamos nossos preconceitos é muito mais embaixo.

Apesar de tudo e sem nenhuma intenção de minimizar o horror das declarações, estas somente estão sendo combatidas com tanto fervor porque, embora firam uma minoria, esta é representada. Nós temos políticos, artistas, gente com voz e vez, negros e homossexuais. E a discriminação sofrida pelos pobres, quem discute? Pobre não chega ao poder. Quando chega, deixa de ser pobre.

Outro dia aqui em Londres, numa famosa rede de fast food, eu presenciei uma cena chocante e que me jogou na cara o meu próprio preconceito. Nessa mesma lanchonete, a todo instante entram pessoas para usar o banheiro. Não compram nada, apenas vão até os banheiros, usam e vão embora. Ninguém reclama, afinal eles tem o perfil do cliente. Pois um senhor de rua juntou suas moedas, comprou um hambúrguer e ia se dirigindo até as cadeiras para sentar e desfrutar de um serviço disponível aos clientes, grupo ao qual ele acabara de pagar para pertencer. Não foi o bastante. Não bastava pagar pelo hambúrguer, seria preciso pagar também por um banho, barbeiro, roupas novas e perfume. Ele foi impedido de sentar-se. A sua expressão de dor, de indignação e impotência me feriram de uma maneira insuportável. Ao sair, ele cuspiu na porta, como que para demonstrar que era ele quem tinha nojo de tudo aquilo. A fome deve tê-lo obrigado a comer aquele pão de humilhação e pensar nisso me fere ainda mais.

Que tipo de pessoa somos nós? Ele não foi impedido de entrar porque o gerente é preconceituoso, como o Deputado Bolsonaro. Ele foi impedido de entrar porque nós sentiríamos repulsa e constrangimento ao comer ao lado de um senhor de idade sujo, vestido de trapos e com dinheiro somente para comprar um hambúrguer. Ele foi barrado porque quando a gente paga pelo mesmo hambúrguer que ele, a gente também paga pra sentar num lugar fechado, onde não precisamos lembrar que milhares morrem de fome enquanto a gente se sente cheio demais pra tomar todo o refrigerante depois do sanduiche e batata.

Bolsonaro é um ignorante num assunto em que muitos de nós já somos esclarecidos: cor não define e sexualidade é opção. Mas e se Preta Gil não perguntasse pela mulher negra, mas pela pobre e sem estudo? Qual seria a resposta? De que tamanho seria a nossa indignação?

quarta-feira, 30 de março de 2011

Oxford - England

Uma cidade pequena, aconchegante, cercada de cultura e história. Chegar em Oxford é como ser transportando para uma outra época. Não se vêem arranha-céus e prédios com arquitetura inovadora, como uma senhora que não se arrisca a colocar uma saia mais curta, mas uma exibição orgulhosa de construções antigas, como se a cidade inteira fosse um só castelo.

Pode-se conhecer tudo a pé e a nossa primeira caminhada nos levou ao Museu de Ashmoleam.  Logo na entrada são entregues dois papéis: um com uma sugestão de qual seria a melhor ordem para visitar o Museu e o segundo com o nome e localização das obras mais famosas. É um procedimento aparentemente comum na Inglaterra e que faz uma pessoa metódica como eu pular de felicidade. O acervo é maravilhoso, mas a preocupação em educar os seus visitantes me encheu os olhos. Há inúmeras ações de conscientização espalhadas entre as obras de arte, como as das fotos seguintes. 
Depois do Museu, fomos almoçar num calçadão, onde se viam muitos artistas de rua se apresentando e uma ação promovida por japoneses para angariar fundos e ajudar na recuperação do Japão. Por uma boa causa, me arrisquei num biscoito feito de chá verde. O bichinho era feio de doer, mas uma delícia.
Após o almoço a meta era ir direto à Christ Church, onde foram rodados os filmes de Harry Potter, mas havia uma livraria no meio do caminho. No meio do caminho havia uma livraria. Fiquei nervosa. Qualquer livro era somente £2. Qualquer um! Comprei três livros e por mim voltava em Oxford só pra passar um dia inteirinho por lá.
Comprados os livros, finalmente Harry Potter! Era mais que apenas um ponto turístico pra mim...

Assisti Harry Potter pela primeira vez aos treze anos, mas foi aos 17 que me apaixonei. Estava no cursinho pré-vestibular quando resolvi que merecia/precisava de um descanso. Li os 5 primeiros livros de Harry Potter, que somados são 2.203 páginas, em uma semana. Ia pra todas as aulas, mas era só o professor parar pra respirar que eu sacava o livro e lia mais um trecho. Era viciante, relaxante e incrível. Depois comprei o 6º livro já na pré-venda e li em dois dias assim que o recebi. O 7º eu até tentei, mas não consegui esperar. Li da internet mesmo. Depois comprei o livro de verdade e reli, amando cada página.

Explicada a minha paixão, vocês podem entender a emoção que eu senti com essa visita. Eu vi, toquei e tirei foto da escadaria em que Harry conhece e enfrenta Malfoy pela primeira vez; do salão comunal, onde, entre outros acontecimentos, o chapéu seletor coloca Harry na Grifinória; do gramado onde acontecem os torneios de Quadribol. A sensação é parecida com a de  ser fã de um desenho animado e comprar um boneco do personagem favorito. Dá tristeza que ele não fala, não anda, não se mexe, mas é muito bom assim mesmo. Faltou Hogwarts existir de verdade, mas estar lá foi incrível.

Visitamos ainda alguns campi da Universidade de Oxford e terminamos nosso dia num Pub (mais inglês, impossível), onde conhecemos alguns brasileiros e ficamos até a hora da partida. Foi quase triste voltar pra Londres...

quarta-feira, 23 de março de 2011

St. Patrick's Day



Que dia é esse que transforma uma cidade em verde, que deixa os pubs com cara de sábado em plena quinta-feira, que faz a gente ter vontade de saber tudo sobre a Irlanda e experimentar cerveja preta?

17 de Março, St. Patrick's Day, é um dia divertido e muito esperado. Os principais pubs irlandeses de Londres mantiveram cronômetros gigantes fazendo contagem regressiva.

St. Patrick, curiosamente, não era Irlandês. Na verdade ele foi raptado adolescente por piratas e transformado em escravo na Irlanda. Num sonho, disse ter recebido de Deus instruções que o levaram à libertação. Mais tarde ele quis voltar à Irlanda, já como Bispo, e evangelizar o povo. E agora é que aparece o tal do Trevo de três folhas, tão propagado e principal símbolo decorativo desse dia. St. Patrick usava essa folhinha para explicar a Santíssima Trindade. Eu, na minha Santíssima ignorância e superstição, JURAVA que St. Patrick's Day era um dia de sorte e que o trevo era o talismã. Pelo menos o pensamento positivo deu certo.

Patrícia, que aparece comigo na foto aí embaixo, tinha perdido o passaporte dela. O que é um problemão! Se você tiver o seu passaporte furtado ou perdido, você precisa ir até uma delegacia e prestar queixa. Feito isso, você deve se dirigir ao Consulado Brasileiro, numa transversal da Oxford Street, em posse de inúmeros documentos e solicitar o novo passaporte, que sai no mesmo dia, mas que te custará £128,00. Claro, se você tiver a "sorte" de só perder o passaporte depois de já ter feitos todas as viagens que você queria pela Europa e agora sua única vontade é voltar para o Brasil, basta solicitar uma autorização de retorno. Esta também será paga, não sei ao certo o preço, mas acredito que seja mais barata.

Enfim... achamos o passaporte! Depois dessa, só tomando algumas Guinness e brindando ao padroeiro da Irlanda!

terça-feira, 15 de março de 2011

Tô na Europa, mas não tô besta!


Tô é com saudade da minha carne assada com farofa de banana, de falar oxente e todo mundo me reconhecer baiana, de sentir calor na beira da praia e tomar água de coco.

Saudade de chamar quem eu não conheço de meu tio, de chamar de meu um pai que também é dos meus irmãos, de usar a fama de preguiça, que alguém ousou um dia dizer que eu tinha, pra tirar um descanso dessa vida corrida sem me preocupar.

Sei que tô na Europa, o centro do mundo, falando inglês, que é chique e universal, mas trocava fácil o "fish and chips" por um acarajé com vatapá.

Tô em Londres, essa cidade grande e com gente do mundo todo. Onde até relógio é famoso e não ser pontual é que é exceção. Mas ah, minha Bahia, nessa terra de rainha, minha saudade é do "meu rei".

domingo, 13 de março de 2011

Nine Thousand

Ela que esperava ansiosamente por ele, finalmente foi convidada. Ela que ficou com o gosto do último beijo, foi encontrá-lo. Ela que sentia o adeus próximo, resolveu estender os minutos fingindo que o tempo estava parado.

Eles tomaram café e falaram do mundo. Eles tomaram cerveja e falaram de si. Ela se enrolou nas cobertas e tentou lembrar de cada minuto dos últimos dois meses.

Ela mal disfarçava a ansiedade pelo primeiro beijo. Ela pensava: se ele não beijar, eu beijo. Ela sonhou e só então conseguiu dormir.

Ela tremeu dos pés a cabeça quando os lábios dele a tocaram. Ela relaxou os ombros e quase foi feliz quando ele a beijou. Ela acordou para sonhar desperta.

No fim da noite ela queria casar. Quando se despediram, ela não queria deixar. Quando levantou da cama era só saudade.

quinta-feira, 3 de março de 2011

"Questão de segurança"


Ontem, como de costume, fui pegar o metrô na Estação de Piccadilly para voltar para casa. Já havia descido as escadas e me aproximava do corredor que dá acesso ao trem, quando ouvi a mensagem: "por questão de segurança, todos devem deixar a estação imediatamente!" A voz insistia. Todos começaram a sair. Já próximo da saída perguntei a uma das pessoas responsáveis pela estação o que estava acontecendo. Recebi a resposta: "O que está acontecendo não importa, você precisa deixar a estação." Saí. Já na rua a gente podia ouvir e ver vários carros da polícia, sirenes ligadas, passando apressados. O que aconteceu?

Ninguém sabe dizer. Quem mora aqui responde com naturalidade: "Pode ser qualquer coisa: incêndio, bomba...". Bomba? Pois é, pode ser. Ninguém sabe, nada nos jornais... aliás, no jornal de hoje tinha essa propaganda no mínimo interessante.

Terrorismo. Que coincidência! Ontem à noite assisti a um filme que me deixou perplexa: "Jean Charles", a história de um brasileiro inocente que foi morto por esse medo que impede de pensar e que se espalhou pelo mundo depois de 11 de setembro. Para quem não lembra da história... duas semanas antes, terroristas explodiram uma bomba em um ônibus de Londres. Queriam, segundo eles, fazer-nos sentir a dor de ver nossos inocentes serem mortos sem qualquer razão. Uma resposta a essa guerra sem explicação no Iraque.

Desde o ataque às Torres Gêmeas, o mundo assiste à ruína da liberdade individual. Ir e vir nunca foi tão difícil, milimetricamente inspecionado e perigoso. Jean Charles foi morto na estação de metrô Stockwell, com sete tiros na cabeça, porque o confundiram com um muçulmano, que era suspeito de ser um dos terroristas foragidos. Ou seja, bastava ser/parecer um muçulmano, na hora errada e no lugar errado para ser morto sem qualquer chance de se defender.

Antes de vir, imaginava que numa cidade cosmopolita como Londres, onde você cresce com gente de todo o mundo, racismo seria o último sentimento que eu encontraria. A verdade é que de perto não há mistura. Sim, tem gente aqui de todo o mundo, mas tem a região dos Chineses, a dos Indianos, a dos Brasileiros, a dos Turcos... Eles não crescem juntos, crescem se vendo, mas sem se entender. Até algumas igrejas tem horários diferentes de missa para cada povo. De manhã um, de tarde outro e de noite outro. Qual a explicação? Dizem que é mais fácil orar na língua nativa. Hã? Essas mesmas pessoas passam o dia todo conversando, trabalhando, estudando, fazendo seja lá o que for, em inglês, por que na hora de rezar terão dificuldade a ponto de justificar uma segregação?

O problema, no entanto, é que se tal grupo é vítima de preconceito, esse mesmo grupo é preconceituoso com outras pessoas. Já ouvi tantos absurdos, formando uma cadeia sem fim de discriminação, que quase perdi a fé num mundo livre de preconceitos.

Enquanto houverem guetos sociais, raciais, nacionais, religiosos...
Enquanto não perguntarem primeiro e só atirarem depois...
Enquanto a vida daqueles que desconhecemos não tiver o mesmo valor da vida daqueles que amamos, não teremos espaço para um mundo de paz. Paz pressupõe entendimento, que não exige um mesmo idioma, mas um mesmo gesto: respeito.


sábado, 26 de fevereiro de 2011

Custo para ficar... LONDRES


Ouvi certa vez em uma palestra que a razão de muitas empresas irem à falência tão cedo no Brasil é que nós somos muito otimistas. Parece engraçado, mas é a mais pura verdade. A gente planeja cenários ideais e dificilmente eles se reproduzirão na nossa frente. A receita: planeje pessimista e mantenha o otimismo.

Essa máxima se aplica também na hora de calcular o quanto você precisará no seu intercâmbio. Se planeje para um cenário difícil, onde as coisas não acontecem tão rápido. Por experiência própria, assisti tudo dar errado no meu primeiro mês em Londres e eu sou brasileira, jurava que daria tudo certo e não deixei a margem necessária. Resultado? "Pai, socorro!" É triste. rs

Então para que você não tenha que passar por esse mesmo perrengue que eu, vou te preparar melhor do que eu vim preparada.

CUSTOS PARA VIVER EM LONDRES:

ROUPAS: Reserve um dinheiro para comprar aqui as suas roupas de frio, se você vier no inverno. Aqui é incrivelmente mais barato que no Brasil. Mas reserve um dinheiro pra isso, porque é barato, e não de graça. Separe de £150,00 a £300,00 para isso, a depender da sua necessidade e da qualidade/marca de roupa que você queira comprar. Dá pra achar casaco aqui de £20,00 a £150,00 em uma mesma rua.

ACOMODAÇÃO: Londres é divida por Zonas, sendo a 1 a mais central. Você não precisa morar lá para estar bem localizado, porque é uma área muito cara e mais comercial. As zonas 2 e 3 são boas opções. O mais importante é estar numa área próxima a metrô e de ônibus 24h, assim você consegue programar melhor seus horários durante a semana e curtir tranquilo o fim de semana, quando você volta para casa num horário em que trens e metrôs já estão fechados.

Eu moro na Zona 3 e divido um apartamento com mais 2 pessoas, pago £75,00 por semana (é estranho para gente calcular assim, mas aqui as pessoas pagam por semana e recebem por hora de trabalho). É um valor bom. Além do aluguel você precisa pagar algumas taxas pela luz e gás, que vai acabar somando entre £5 e £10 por semana no seu orçamento.

TRANSPORTE: O transporte daqui é ótimo e proporcionalmente barato. Não converta ou você levará um susto. Se você vem para estudar por 12 semanas ou mais, ótimo. Você pode se aplicar como estudante para pagar uma tarifa MUITO menor, mas isso leva tempo (cerca de duas ou três semanas) e pode dar errado (como aconteceu comigo), o que te custará ainda mais tempo. O valor do transporte varia de acordo com as zonas que você frequente. Você pode comprar o Oyster card e pagar por semana (é a opção mais barata e que te dá direito a usar ilimitadas vezes metrô, trem e ônibus).

- se você mora na zona 3, você pagará pelas zonas 1, 2 e 3.
             Com Oyster Card = £32,00; Com Student Oyster Card = £22,50
- Se você mora na Zona 2, pagará pelas zonas 1 e 2.  
             Com Oyster Card = £27,00; Com Student Oyster card = £19,30. 

ALIMENTAÇÃO: Você cozinha? Acredite, se sua resposta é não, uma hora você tentará. Primeiro porque comer barato e saudável só é uma equação possível em Londres se você cozinhar na sua casa. A maior oferta de comida aqui é fast food e qualquer coisa fora disso vai pesar no seu orçamento. É claro que sair um dia ou outro para comer uma comida diferente não vai te levar à falência, mas todo dia vai sim, se você for um estudante do Brasil que veio com o dinheiro contado. rs

- Preço médio de comidas prontas na rua e de algumas coisas para a casa.
Fish and Chips = £3,45
McDonald's (Mc oferta) = £4,01
Tesco (sanduiche, suco e chocolate) = £2,00
Pizza Hut (rodízio) = £6,99 (em qualquer lugar de Londes, eles SEMPRE te darão o seu £0,01 de troco)
Donar Kebab = £5,00

Cereal (500g) = £1,65
Leite (1l) = £1,50
Pão (800g) = £1,39
Água (5L) = £1,29
Muffins (4 unidades) = £1,00
Miojo (o do copinho) = £0,99
Torta salgada (500g) = £1,00
Pizza (tamanho entre pequeno e médio) = £2,00
* Só sei isso de cabeça, porque foram as únicas coisas que comprei até agora.

- Tenho amigos que dizem gastar £40,00 por mês com comida. Não faço idéia de como eles conseguem isso. Eu gasto uma média de £80,00 por mês. Vou fazer um curso com eles e reduzir isso.rs

LAZER: Essa é a primeira coisa que você corta enquanto aguarda um emprego e sinal de dias melhores, mas se você se preparar bem não precisará fazer isso. Afinal, não é todo dia que você está na Europa. Toda semana acontecem festas da escola, onde você paga mais barato para entrar, cerca de £5,00. Lá dentro uma caneca de cerveja sai por uma média de £5,50.

Londres também tem muitas atrações turísticas gratuitas e muitas onde você pagará uma média de £15,00 a £20,00 para entrar.

Ainda tem as viagens pela Europa... eu ainda não viajei, mas acredito que com £150,00 dá pra conhecer um país próximo por um fim de semana.

EMPREGO: Não é tão simples encontrar emprego em Londres, você terá duas grandes dificuldades iniciais: não ser fluente em inglês e só poder trabalhar 10h por semana.  Encontrando emprego, ele dificilmente cobrirá suas despesas. Paga-se uma média de £5,00 a £6,00 por hora trabalhada. Ainda estou me estabilizando nesse quesito, então é complicado dar boas dicas.

No geral... Imagine que tudo dará errado no primeiro mês e você precisará de um outro "primeiro mês" para se organizar. Dois meses livres de preocupações é um bom primeiro passo para fazer do seu intercâmbio uma experiência inesquecível. Mas ok, não precisa inventar milhões de "poréns" e sempre adiar o seu sonho. Falar inglês é incrível e necessário... viver em outro país completamente diferente do seu é chocante, enriquecedor, divertido, angustiante e a melhor experiência do mundo.

Custo para ir... LONDRES


Quanto custa estudar Inglês em Londres por seis meses? É claro que a resposta mais óbvia, simples e que todo mundo te dá é: depende. Depende do seu estilo de vida, do tipo da escola que você vai estudar etc. etc. etc. Então para responder aos meus amigos que, como eu, tem o sonho de se lançar numa aventura como essa, vou mostrar o quanto está custando para mim e porquê, então vocês calculam e podem ter uma média do quanto seria pra vocês.

1º PONTO: IR OU NÃO POR AGÊNCIA? 
Todo mundo acha que viajar por agência fica muito mais caro. Só fica se vocês não pesquisarem bastante. O preço do curso de inglês é o mesmo, não importa se você vai ou não por agência ou por qual delas. O mesmo para os serviços de acomododação, porque serão prestados pela sua escola. Ou seja, o valor da acomodação varia de escola para escola e não de agência para agência.

Duas coisas podem deixar o fato de ir através de uma agência mais caro: se elas te cobrarem pelo serviço como um todo e/ou se cobrarem para intermediar o seu visto. Como eu pesquisei em todas as agências de Salvador (Bahia - Brasil, onde eu moro) e sabia exatamente o preço de cada uma, usei isso pra conseguir isenção da taxa de serviço da agência. O único momento em que realmente ficou mais caro foi por causa do visto. Algumas agências te cobram pelo serviço, outras te encaminham para pessoas especializadas nisso, que também te cobrarão. É claro que você pode fazer tudo sozinho, mas como foi a minha primeira viagem, eu moro em Salvador e tudo do visto Britânico é resolvido no Rio de Janeiro e eu ainda não conhecia de inglês o bastante pra me sentir segura nas minhas pesquisas, paguei esse "a mais", que me custou cerca de R$250,00. Pronto, resumindo, foi isso que paguei a mais por usar os serviços de uma agência. Valeu muito pela dor de cabeça que eu não tive. =D

2º PONTO: CÂMBIO. 
O valor do seu intercâmbio está diretamente ligado à taxa de câmbio, porque tudo será pago na moeda do local para onde você irá. No caso de Londres, Libras. Hoje, por isso, é um excelente momento para viajar, porque o câmbio nunca esteve tão favorável. Não vou colocar aqui o câmbio exato que eu paguei, porque essas informações estão em Salvador. =/

Vamos aos custos... 

CURSO DE INGLÊS: Fiz a opção por uma boa escola, mas bastante conhecida e com cerca de 15 a 18 alunos por sala, por ficar mais barato. Paguei os 6 meses, porque trata-se de exigência da escola para  mandar uma carta, necessária para o visto. R$5.360,40. 

ACOMODAÇÃO: Paguei pra ficar em casa de família no primeiro mês. É a opção mais cara, é verdade, mas é uma boa, porque você chega aqui completamente perdido e sem falar direito a língua. Um mês é um tempo razoável para você procurar um apartamento para dividir e se estabelecer na cidade. Zona 3 de Londres, quarto só pra mim, café-da-manhã e jantar. R$1.849,60.

PASSAGEM: A cotação da passagem é em dólar. Compra-se a ida e a volta juntas e esse valor pode ser parcelado. R$2.222,37.

VISTO: O visto é caro e ainda tem o custo da passagem, porque você precisa ir até São Paulo, Rio de Janeiro ou Brasília. Como o valor da passagem varia demais, vou colocar aqui somente o valor do visto, inclusa a tarifa da agência. R$720,00.

*OBSERVAÇÃO: Os documentos exigidos para o visto variam de acordo com o tipo de visto que você deseja. Atualmente o Consulado Britânico exige um nível intermediário de inglês para conceder vistos de Estudante com permissão para trabalho (somente 10h por semana). É esse meu visto. A sua própria escola contratada de Londres aplica um teste e emite uma carta ao Consulado sobre o seu nível de inglês. Os únicos outros documentos exigidos são uma carta do banco dizendo que você teve durante todos os dias do último mês um mínimo em conta equivalente a 800 libras por mês que você estará na Inglaterra (6 meses = 800x6) e uma declaração do dono da conta, caso não seja sua, dizendo que será responsável por suas despesas. No meu caso, esse valor estava na conta do meu pai, então tive que juntar ainda a minha certidão de nascimento que, assim como a carta do banco, precisa ser traduzida juramentada, o que me custou mais R$85,00.
- Além da sua própria conta, o Consulado Britânico somente admite pai, mãe, avô e avó. A conta de outras pessoas não serve.

SEGURO SAÚDE:  Países como Espanha, Portugal, Itália... (tem uma lista que você pode encontrar na internet) não te exigem seguro saúde, porque tem um convênio com o Brasil que te dá assistência gratuita. (Nandinha, que está em Portugal, disse que foi exigido seguro saúde para o visto. Fica então a dica de entrar em contato com a Previdência para verificar qual a cobertura desse convênio e se ele substitui a contratação de um seguro privado). No caso da Inglaterra é preciso contratar um seguro, com no mínimo U$30.000,00 de cobertura por evento. Eu peguei uma opção boa, mas com melhor preço. Você paga por dia, desde o dia de embarque até o dia em que você estará de volta ao seu país. Esse valor pode ser parcelado em várias vezes. R$948,30.

*OBSERVAÇÃO: Se você ainda estuda e em faculdade particular, como eu, inclua nas suas despesas o trancamento da faculdade. Normalmente o valor da matrícula mais uma pequena taxa.

CUSTOS
Passagem  R$ 2.222,37
Curso inlgês*, casa de família**  R$ 7.210,00
Visto  R$    720,00
Tradução Juramentada  R$      85,00
Seguro Saúde  R$    948,30

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Primeira parada - WATERLOO

London Eye
Resolvi conhecer um pedacinho de Londres de cada vez, com calma, saboreando como quem mora aqui e não apenas está de passagem. Comprei então um mapinha da cidade onde os pontos turísticos são destacados. Escolhi conhecer primeiro a London Eye. Uma espécie de mistura de roda gigante com o bondinho do Pão de Açúcar do Rio de Janeiro - Brasil.

Confesso que antes de vir pra Londres achava as fotos da London Eye um tanto sem graça. Ao vivo a coisa é um pouquinho diferente. Primeiro porque, diferente das fotos no google, ela não é um pedaço no meio do nada, mas em volta de um parque, onde vários artistas de rua se apresentam (alguns bem interessantes), as crianças ficam brincando e a vista pro Rio Thames, pra Houses of Parliament e pro Big Ben são simplesmente fascinantes.

Finalmente entendi o óbvio. A London Eye não é uma atração em si mesma, apesar de ser linda e eu adorar belas construções humanas, a sua beleza está em ampliar o que há de belo ao seu redor. Os "Olhos de Londres" abrem os nossos olhos pra todas as belezas daqui.
Rio Thames, Houses of Parliament e o Big Ben
Artista de rua

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Intercâmbio [No começo...]

Você cresce vendo as coisas acontecerem de uma forma e de repente o quotidiano passa a ser novidade.

Você pode até ter viajado para outros países e visto isso ao longo da sua vida, o que já te faz uma pessoa mais apta a questionar padrões. Mas uma coisa é ver uma máquina diferente funcionando, outra é fazer parte das engrenagens.

Você pode ter ficado bastante tempo longe da sua família e dos seus amigos, sentido muita saudade e achar que por isso saudade não seria novidade. Mas quando tudo ao seu redor é diferente, quando a distância não pode ser resolvida facilmente, mesmo que você tenha acordado rebelde e disposta a comprar uma passagem de volta... então a falta de um abraço e um beijo parecem maiores.

Quando você deixou alguém de que gosta te esperando e essa pessoa cansa de esperar...
Quando você não consegue mais acompanhar os nomes nas novidades dos seus amigos...
Quando você se sente estranho aqui e vai se desencaixando de lá...
...então o seu intercâmbio está começando.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Quando Nietzsche Chorou

Esse livro deveria vir com uma bula, indicando o modo de usar e advertindo sobre os efeitos colaterias, tamanhas as reflexões a que somos submetidos. Enquanto assistimos aos personagens analisando suas próprias vidas, nos vemos obrigados a olhar no espelho e descobrir quem realmente somos. O quanto baseamos a nossa vida nas expectativas que os outros têm de nós? Vivemos realmente ou deixamos para os outros a tarefa de trilhar o nosso caminho?

Quem nunca pensou na música de Zeca Pagodinho - "deixa a vida me levar" - como a desculpa perfeita pra não assumir a responsabilidade de tomar as próprias decisões que atire a primeira pedra.

Quando Nietzsche chorou é assustadoramente fantástico. Ele mostra que custa caro ser livre, mas que custa uma vida não o ser.

sábado, 30 de outubro de 2010

E se...?

Acabei de assistir a um filme óbvio, meloso, mas divertido. Um filme que valeu por um momento... "e se?"

E se eu tivesse feito escolhas diferentes?
E se eu tivesse apostado num relacionamento?
E se eu tivesse perdoado?

Por que a gente se tortura com o que não aconteceu, não vivemos e nunca saberemos?
Por que no mundo do "e se..." sempre estão os finais felizes?

"E se" é o pior casamento entre duas palavras. É um casal mal amado, amargurado, que vive de expectativas que não podem ser realizadas. Que pensam dia e noite como seriam suas vidas longe um do outro.

Eu gosto é do casamento do "é assim..."!

É assim que eu sou por causa das minhas escolhas;
É assim que a vida apronta pra fazer a gente estar sempre no lugar e na hora certos;
É assim que se vive: olhando pra frente.

Quem quiser que sorria pelos caminhos que não percorreu.
Que suspire pelos amores que não viveu.
Por mais dura que a realidade se mostre, eu prefiro a verdade, meu pedaço de certeza.
Foto: entrelaces.wordpress.com

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Namoro à distância

E quando não é namoro? Quando é aquela coisa que você sabe que não é só amizade, mas também não é nada que tenha um nome que você possa apresentar pra família? 
Vocês trocam mensagens, se falam no MSN, trocam intimidades, planejam algumas coisas juntos, ficam juntos quando se encontram, quase nunca se encontram, mas não resistem à tentação de saber e fazer parte da vida do outro.

É um relacionamento que confia em si mesmo, que acredita  que algum dia vai dar pé e ganhar nome. Porque apesar de não saberem o que são, vocês estão juntos nessa indefinição. Ele sabe quando você tá doente, de TPM ou foi promovida. Você sabe quando ele tá com sono, brigou com a mãe ou foi ver o jogo com os amigos.

É o relacionamento das promessas, sem nenhum juramento.

E o que é que tem isso de mais? Você acha tudo nele lindo e ele adora tudo em você. Vai encrencar por causa de distância? Eu conheço um monte de casal que vive lado a lado e estão muito mais separados, por uma distância que avião nenhum dá jeito.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010



Gosto dos que sãos são loucos
Quase tanto quanto dos loucos sãos
Aprecio os que do pouco muito fazem
Quase tanto quanto os muito poucos que fazem
De um dia louco, um dia bom






terça-feira, 10 de agosto de 2010






Me sinto tão bem entre livros, que às vezes me pergunto se seria mais feliz sendo de papel. 




sexta-feira, 28 de maio de 2010

... 3

Que as barreiras do racional ajudem, e nunca impeçam, de se fazer justiça, ainda que a lei escrita dos homens aponte em sentido contrário.

Que qualquer regra seja sempre somente vetor, nunca estrada.

Poeminha escondido

O outro poema se foi com o aborrecer
E com ele o que antes dele havia
Foi embora o que não existia
 Ficou o contorno do que se pretende ser

Eu queria.                                              Tá, não sei. 
Não, não... eu quero!                            Qualquer coisa serve.
Quer dizer, eu acho...

                                        ...ou não.


segunda-feira, 24 de maio de 2010




Desconhecido íntimo
Voz rouca e grave
Corpo distante
Cheiro presente
Sorriso que não me sai
Nem sai porque não tento




sexta-feira, 7 de maio de 2010

As coisas de que gosto


As coisas de que eu mais gosto são justamente aquelas que não me agradam de propósito.
Como a gente... que não é muito e é tanto ao mesmo tempo.
Como a última vez em que nos vimos...

Aliás, não gosto de "a última vez". Dá uma ansiedade de não saber se foi a última porque a mais recente, ou porque depois dela não virá nenhuma mais...

...como a vez anterior a próxima em que nos veremos.